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Superinteligência ArtificialResumo semanal

Agentes de IA nas empresas: o que mostram os dados de 2026

Agentes de IA nas empresas: o que dizem os dados da Anthropic, OpenRouter, OpenAI, Microsoft, Eurostat e INE, e onde uma PME portuguesa já os pode usar.

Redação7 min de leituraPreços verificados em outubro de 2026

Não existe um número único que diga quanta IA é usada por agentes de IA nas empresas, mas os dados públicos de 2025 e 2026 apontam todos no mesmo sentido: quando uma empresa liga a IA diretamente aos seus programas, a maior parte do uso já é delegação e não conversa. Na API do Claude (a ligação direta entre programas, sem passar pelo chat), 77% das interações de agosto de 2025 eram automação, segundo a Anthropic. Na OpenRouter, a programação passou de cerca de 11% para mais de 50% do volume em 2025. Em Portugal, porém, só 11,5% das empresas com 10 ou mais pessoas usavam qualquer tipo de IA em 2025. Os agentes estão a crescer depressa, mas sobretudo em empresas que já usavam IA.

Se ainda não está seguro do que é um agente, comece pelo nosso artigo sobre agentes de IA explicados: em resumo, é um assistente que recebe um objetivo e dá vários passos sozinho, com ferramentas, em vez de só responder.

O que mostram os dados sobre agentes de IA nas empresas

Anthropic Economic Index. A Anthropic publica de poucos em poucos meses uma análise anónima de como o Claude é usado. No relatório de 15 de setembro de 2025, com dados de agosto de 2025, 77% das conversas feitas pela API mostravam padrões de automação (a pessoa entrega a tarefa e recebe o resultado) e só 12% de colaboração. No Claude.ai, o chat que as pessoas usam, a divisão era quase meio a meio. No relatório de 15 de janeiro de 2026 (dados de novembro de 2025), a Anthropic descreve o uso da API como “dominado pela automação” e conclui que as empresas estão a usar o Claude para automatizar tarefas administrativas de rotina: gestão de email, processamento de documentos, gestão de clientes e marcações.

OpenRouter e a16z. A OpenRouter é um serviço que dá acesso a centenas de modelos de IA através de uma só ligação, usado sobretudo por quem programa. Com a sociedade de investimento a16z, publicou em dezembro de 2025 um estudo sobre mais de 100 biliões de tokens (os pedaços de texto em que a IA conta o trabalho). Três números: os modelos de raciocínio, que planeiam por passos, passaram de quase nada no início de 2025 para mais de metade do volume; a programação passou de cerca de 11% para mais de 50%; e o tamanho médio de cada pedido quase quadruplicou desde o início de 2024, sinal de que a IA recebe cada vez mais contexto para trabalhar. Os autores chamam a isto o crescimento da “inferência agêntica”: o modelo planeia, consulta ferramentas, revê e repete até acabar.

OpenAI. No relatório sobre IA nas empresas de dezembro de 2025, a OpenAI diz que tem mais de 1 milhão de empresas clientes, que o consumo de tokens de raciocínio por organização na API cresceu cerca de 320 vezes num ano e que perto de 20% das mensagens no ChatGPT Enterprise passavam por GPT personalizados ou Projetos, ou seja, por fluxos de trabalho preparados com antecedência. Acrescenta que o apoio ao cliente e a criação de conteúdos já valem cerca de 20% da atividade na API.

Microsoft. O Work Trend Index de 5 de maio de 2026 indica que o número de agentes ativos no Microsoft 365 cresceu 15 vezes num ano (18 vezes nas grandes empresas). Mas só 16% dos 20 000 utilizadores de IA inquiridos em 10 países estão no grupo a que a Microsoft chama “profissionais de fronteira”: os que usam agentes em fluxos de trabalho automáticos com vários passos e redesenham processos à volta da IA.

O que as empresas pagam aos agentes para fazer

Juntando as quatro fontes, o padrão repete-se:

  • Programação. É de longe o maior volume, na OpenRouter, na Anthropic (as tarefas de informática e matemática eram 52% do uso da API em novembro de 2025) e na OpenAI, com o Codex.
  • Apoio ao cliente. A Anthropic destaca o apoio automático a questões de pagamentos e faturação como frequente na API; a OpenAI põe apoio ao cliente e conteúdos em cerca de 20% da sua API.
  • Tarefas administrativas e documentos. Na API do Claude, as tarefas de escritório e administração eram 15% do uso, contra 8% no chat.
  • Vendas. Em fevereiro de 2026, a Anthropic viu pelo menos duplicar o peso de fluxos de prospeção: qualificar contactos, enriquecer dados de clientes e redigir emails comerciais.

O que estas tarefas têm em comum é o que descrevemos no artigo sobre agentes: são repetitivas, têm regras claras e um resultado fácil de verificar.

Atenção ao que estes números não dizem

Convém ler estes dados com cuidado. Cada fonte mede só os seus próprios clientes: a Anthropic mede o Claude, a OpenRouter mede programadores (e mais de metade do uso de modelos abertos na plataforma é ficção e jogos de papéis), a Microsoft mede o Microsoft 365. Nenhuma mede PME portuguesas em particular.

Automação também não quer dizer sucesso. No relatório de janeiro de 2026, a Anthropic estimou que as tarefas feitas pela API correram bem em 49% dos casos, contra 67% no chat, onde a pessoa pode corrigir e pedir de novo. É a confirmação, nos dados, do que dizemos sempre: um agente sem revisão humana erra mais.

E os crescimentos de 15 ou 320 vezes partem de bases pequenas e vêm de empresas que vendem estas ferramentas. Indicam a direção, não o tamanho real do fenómeno.

E em Portugal?

Aqui os dados são oficiais e menos animadores. Segundo o INE (inquérito às empresas de 2025, publicado a 21 de novembro de 2025), 11,5% das empresas com 10 ou mais pessoas usavam alguma tecnologia de IA, mais 2,9 pontos do que em 2024. Na União Europeia, segundo o Eurostat (dezembro de 2025), eram 20,0%. Nas empresas de 10 a 49 pessoas, a diferença mantém-se: 9,4% em Portugal contra 17,0% na UE.

As empresas portuguesas que usam IA aplicam-na sobretudo na gestão administrativa (40,8%) e no marketing ou vendas (36,9%). Entre as que não usam, as razões mais citadas são a falta de conhecimentos na empresa (74,4%), os custos parecerem altos (60,4%), a falta de clareza sobre as consequências legais (57,3%) e a proteção de dados (55,4%).

Ou seja, enquanto as grandes empresas lá fora passam do chat para os agentes, a maioria das PME portuguesas ainda não usa IA de forma regular. Não é preciso saltar etapas, mas também não vale a pena esperar: as tarefas onde os agentes já funcionam são as mesmas que uma PME tem todos os dias.

Onde um agente já funciona numa PME e onde ainda não

Funciona com fiabilidade razoável, desde que uma pessoa reveja:

  • Triar a caixa de email partilhada e preparar rascunhos de resposta.
  • Tirar dados de faturas, encomendas ou formulários para uma folha de cálculo.
  • Responder às perguntas frequentes de clientes, com passagem para uma pessoa quando a pergunta sai do previsto.
  • Preparar pesquisa: fornecedores, concorrência, resumo de um cliente antes de uma reunião.

Ainda não convém deixar sozinho:

  • Pagamentos, encomendas a fornecedores e alterações de preços.
  • Decisões sobre pessoas (candidaturas, crédito, avaliação), que o RGPD e o AI Act tratam com regras próprias, como explicamos no artigo sobre IA e RGPD numa PME.
  • Pedidos ambíguos, em que o agente tem de adivinhar o que se queria.

Para decidir caso a caso, use a nossa triagem em perguntas de sim ou não. Para ideias por área, veja as 50 tarefas que uma PME pode automatizar com IA e as páginas de operações e de apoio ao cliente.

O que fazer esta semana

  1. Veja em que ponto está. O diagnóstico de IA demora poucos minutos e diz-lhe se deve começar pelo chat, por uma automação ou por um agente.
  2. Se ainda não usa IA, não comece por agentes. Comece pelo chat numa versão empresarial, com o guia de IA para PME.
  3. Se já usa, escolha uma tarefa repetitiva com regras claras, como a triagem de emails, e teste um agente com acessos mínimos e aprovação humana durante um mês. Ferramentas como n8n, Make ou Zapier permitem misturar passos fixos com um passo de IA, como mostramos na comparação entre n8n, Make e Zapier.

Dados verificados em outubro de 2026, nas fontes indicadas abaixo.

Fontes

Redação Superinteligência Artificial

Escrevemos para quem gere empresas em Portugal. Cada preço tem fonte e data; quando algo muda, atualizamos o artigo.

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