Para uma PME, a inteligência artificial é hoje sobretudo um assistente que escreve, resume e organiza: responde a emails, lê faturas e contratos, prepara propostas, faz a ata da reunião e o primeiro rascunho da publicação da semana. A IA para PME começa com pouco dinheiro (cerca de 18 € por utilizador por mês, sem IVA, nas versões empresariais do ChatGPT, Copilot ou Claude) e com 2 ou 3 pessoas, não com um projeto grande. O retorno aparece primeiro nas tarefas repetidas de escritório; a produção, a logística e as decisões sobre pessoas vêm depois, com mais cuidado. Tudo o que a IA produz é revisto por alguém que conhece o assunto.
Este é o guia de entrada do site. Explica o que a inteligência artificial já faz nas empresas portuguesas, onde rende primeiro em cada área, quanto custa, como começar em 30 dias e o que a lei pede. Em cada ponto encontra a ligação para o guia mais detalhado.
IA nas empresas portuguesas: o que já faz hoje
Os números oficiais mostram que a maioria das empresas cá ainda não começou. Segundo o Inquérito à Utilização de TIC nas Empresas do INE, publicado a 21 de novembro de 2025, 11,5% das empresas com 10 ou mais pessoas usavam inteligência artificial em 2025, mais 2,9 pontos percentuais do que em 2024. Nas empresas com 10 a 49 pessoas, o número desce para 9,4%; nas de 50 a 249 pessoas é 18,2%; nas grandes, 49,1%.
Na União Europeia, o Eurostat indica que 20% das empresas com 10 ou mais pessoas usavam IA em 2025 (13,5% em 2024), e 17% das pequenas empresas. A Dinamarca chega aos 42%. Ou seja, uma pequena empresa portuguesa que comece agora está no grupo da frente do país, e ainda abaixo da média europeia.
O INE também diz em que é que as empresas portuguesas usam a IA. Entre as que já a usam:
| O que a IA faz | % das empresas que usam IA |
|---|---|
| Analisa texto escrito (emails, documentos, contratos) | 59,4% |
| Gera imagens, vídeo ou áudio | 50,9% |
| Gera texto, voz ou código | 45,6% |
| Analisa dados com aprendizagem automática | 34,9% |
| Automatiza fluxos de trabalho ou apoia decisões | 34,5% |
| Converte voz em texto | 34,3% |
E em que áreas: organização administrativa e gestão (40,8%), marketing e vendas (36,9%), produção (30,1%), contabilidade e finanças (26,2%) e logística (8,5%). Por setor, a construção e o imobiliário são os que menos usam (5,5%), o comércio fica nos 8,7% e o alojamento e restauração nos 8,3%.
Mais útil ainda é saber porque é que as outras empresas não usam. As razões mais apontadas foram a falta de conhecimentos na empresa (74,4%), custos que parecem demasiado altos (60,4%), dúvidas sobre as consequências legais (57,3%) e receios com a proteção de dados (55,4%). Este guia responde a essas quatro: o que fazer, quanto custa de facto, o que diz a lei e como proteger os dados.
Se ainda não tem claro o que é um modelo de linguagem ou um prompt (a instrução que escreve à IA), leia antes IA generativa explicada a quem gere uma empresa. Dez minutos chegam.
Que benefícios traz a IA a uma pequena empresa?
Numa empresa de 5 ou 15 pessoas não há departamento de marketing, de RH ou de apoio ao cliente: há duas ou três pessoas que fazem tudo isso entre outras tarefas. É aí que a IA nas empresas pequenas rende mais. Os benefícios realistas são quatro:
- Tempo de escritório devolvido. O primeiro rascunho de um email, de uma proposta ou de uma ata deixa de começar numa página em branco. A pessoa passa a rever em vez de escrever.
- Respostas mais rápidas a clientes. Um pedido de orçamento lido e respondido no próprio dia, e não na semana seguinte, pesa mais nas vendas do que qualquer campanha.
- Menos dependência de quem “sabe tudo de cabeça”. Manuais, procedimentos e perguntas frequentes passam a estar escritos, porque a IA torna barato escrevê-los.
- Trabalho que antes não se fazia. A newsletter mensal, as fichas de produto em inglês, o resumo semanal para a gerência: tarefas úteis que ficavam sempre para depois.
O que a IA não traz: decisões melhores por si só, contas certas sem verificação ou clientes novos sem esforço comercial. Na gestão da empresa, serve para preparar a decisão (resumir números, listar cenários, rever um contrato antes da reunião com o advogado), não para a tomar.
Onde a IA para PME dá retorno primeiro, área a área
A regra que serve para todas as áreas: a IA rende mais em tarefas de linguagem que se repetem e que alguém consegue verificar depressa. Escrever, resumir, classificar, extrair dados de um documento. Rende menos (e erra mais) em contas, em factos que mudaram há pouco e em decisões que exigem conhecer o cliente.
Os exemplos abaixo são ilustrativos. Para a lista completa, com a ferramenta a usar e a dificuldade de cada tarefa, veja as 50 tarefas que uma PME pode automatizar com IA.
Administrativo e documentos
É por aqui que a maioria começa, e os dados do INE confirmam-no. Três exemplos:
- Emails longos e trocas de mensagens. O assistente resume uma troca de 30 emails com um fornecedor, diz o que ficou combinado e escreve o rascunho da resposta. No Outlook, o Copilot faz isto dentro do email; no Gmail, o Gemini.
- Dados presos em PDF. Faturas, contratos, guias de transporte, formulários de inscrição: a IA tira os campos que interessam (NIF, datas, valores, prazos de renovação) para uma tabela. O guia sobre como extrair dados de faturas, contratos e formulários mostra os três níveis, do PDF solto à automação do email até ao Excel.
- Atas de reuniões. O Teams, o Meet e o Zoom já fazem a ata com decisões e tarefas, desde que tenha o plano certo. As opções e o que a lei exige quando grava pessoas estão em transcrever reuniões e chamadas em português.
Para começar a usar a IA para trabalhar já amanhã, há 20 prompts prontos para o dia a dia de um escritório. Todos os artigos sobre o tema estão na página da área administrativo e documentos.
Contabilidade e finanças
Aqui convém separar duas coisas. A leitura de faturas e a classificação automática já existem dentro de vários programas de contabilidade usados em Portugal, e é aí que devem estar. O assistente de conversa serve para explicar e analisar, não para lançar.
- Leitura de faturas de fornecedores. O programa lê o QR code e o PDF, sugere a conta e cruza com o e-fatura; o contabilista confirma.
- Explicar números à gerência. Carrega o balancete ou o mapa de tesouraria no assistente e pede: “explica em linguagem simples porque é que a margem caiu face ao trimestre anterior e que perguntas devo fazer ao contabilista”.
- Cobranças. A IA escreve lembretes de pagamento em três tons (amável, firme, último aviso) a partir da lista de faturas vencidas que tira do programa.
Os totais, o IVA dedutível e as declarações continuam no software e com o contabilista certificado. O guia como usar IA na contabilidade de uma PME compara os programas que já leem faturas. Se tem milhares de documentos antigos para tratar de uma vez, o processamento em lote custa cerca de metade. Mais artigos na área de contabilidade e finanças.
Vendas e propostas
O orçamento que fica para amanhã é dinheiro que se perde. A IA não faz os preços; prepara tudo à volta deles.
- Ler o pedido do cliente. Um email confuso ou um caderno de encargos de 40 páginas passa a lista de artigos, quantidades, prazos e o que falta perguntar.
- Escrever a proposta. A partir da lista e da sua tabela de preços, a IA redige o texto da proposta no tom da empresa. Os valores vêm da tabela e os totais calculam-se no Excel ou no programa de faturação, nunca “de cabeça” pela IA.
- Preparar uma reunião comercial. Resumo do histórico do cliente, últimas encomendas e reclamações, numa página.
O passo a passo, com um prompt para copiar, está em propostas e orçamentos com IA. A área vendas e propostas reúne o resto.
Apoio ao cliente
As mesmas 15 perguntas chegam por email, telefone, WhatsApp, chat do site e avaliações Google. A IA ajuda a responder mais depressa, desde que uma pessoa fique com as exceções.
- Rascunhos de resposta no tom da casa. Com uma instrução de meia página sobre o tom, o assistente prepara a resposta e a pessoa revê e envia.
- Chatbot de IA no site da empresa (um assistente automático de conversa) que responde só com base numa lista de perguntas e respostas que a empresa escreveu, e passa a uma pessoa quando não sabe.
- Atendimento telefónico fora de horas com um agente de voz que marca na agenda. É possível, mas é o projeto mais trabalhoso desta lista.
Os dois guias são IA no apoio ao cliente e central de chamadas com IA no Retell AI. Em ambos, o cliente tem de saber que está a falar com uma máquina. Mais na área de apoio ao cliente.
Marketing
É a segunda área mais usada pelas empresas portuguesas que já têm IA, e onde o marketing costuma ficar para depois por falta de tempo.
- Calendário de redes sociais. Com um guia de voz da marca e um bom prompt, uma pessoa prepara um mês de publicações numa tarde e revê tudo antes de publicar.
- Textos do site e fichas de produto, em português de Portugal, com tradução para inglês e espanhol.
- Imagens de produto e cartazes. O ChatGPT, o Gemini, o Canva e o Firefly já fazem um trabalho aceitável para redes sociais; imagens realistas de pessoas ou sítios reais têm de ser assinaladas como geradas por IA.
Os guias são IA no marketing da PME e imagens para marketing com IA. No site, o marketing está arrumado na área de vendas e propostas.
Recursos humanos
Numa PME sem departamento de RH, a IA poupa sobretudo tempo a escrever. É também a área onde a lei é mais exigente.
- Anúncios de emprego e guiões de entrevista, com linguagem neutra e os requisitos revistos por quem contrata.
- Manual de acolhimento com perguntas e respostas para quem chega (horários, férias, despesas, quem é quem).
- Padrões na equipa, como rotatividade, horas extra ou férias por gozar, analisados com dados agregados e sem nomes.
O que não fazer: ordenar ou rejeitar candidatos com IA sem preparação séria, nem usar ferramentas que “medem o estado de espírito” da equipa (proibidas). Veja IA nos recursos humanos de uma PME e perceber padrões na equipa sem vigiar ninguém, e a área de recursos humanos.
Operações e produção
Na fábrica, no armazém e na obra, a IA rende primeiro no escritório que as apoia, não no chão de fábrica. A manutenção preditiva e a visão por computador têm resultados publicados, mas exigem dados registados que a maioria das PME ainda não tem.
- Automatizar passagens entre programas. A encomenda que chega por email passa para a folha de produção; a guia de remessa gera um aviso ao cliente. Ferramentas como a Zapier, a Make e a n8n fazem estas ligações, com passos de IA pelo meio. A comparação está em n8n, Make ou Zapier.
- Prioridades de produção e relatório semanal. A IA lê as folhas que já existem e prepara um resumo para a gerência: atrasos, encomendas em risco, faltas de material.
- Agentes (assistentes que dão vários passos sozinhos) para tarefas repetitivas com regras claras. Antes de os ligar, leia agentes de IA explicados.
A área de operações e produção reúne estes artigos.
E no seu setor?
Alguns setores têm guia próprio, com exemplos e custos para esse tipo de empresa:
- Indústria: como a IA pode mudar uma metalúrgica, na página do setor da indústria.
- Construção: IA na construção, com medições, propostas e diário de obra, na página da construção.
- Restauração e alojamento: IA num restaurante, café ou alojamento local, na página de restauração e turismo.
- Comércio: os guias de marketing e apoio ao cliente estão reunidos na página do comércio e retalho.
- Serviços profissionais (contabilidade, consultoria, advocacia): página dos serviços profissionais.
Que ferramentas de inteligência artificial para empresas usar, e quanto custam?
Há dois tipos de ferramenta, e a maioria das PME precisa só do primeiro para começar.
Assistentes de IA para empresas, para escrever, resumir e analisar: ChatGPT, Microsoft 365 Copilot, Gemini e Claude. Ferramentas especializadas, que já trazem IA dentro de um programa que a empresa usa: o software de contabilidade que lê faturas, o Canva no marketing, o chatbot do site, as plataformas de automação.
| Ferramenta | Faz mais sentido se | Preço por utilizador por mês, sem IVA |
|---|---|---|
| Microsoft 365 Copilot para Empresas | Trabalha em Outlook, Word, Excel e Teams | 18,20 € com pagamento anual (21,84 € mensal), mais o plano Microsoft 365 |
| Copilot Chat | Já tem Microsoft 365 e quer experimentar sem pagar mais | Incluído nos planos Microsoft 365 elegíveis |
| Gemini no Google Workspace | Trabalha em Gmail, Docs e Drive | Incluído nos planos Business; acesso completo a partir do Business Standard |
| ChatGPT Business | Quer um assistente independente do email | cerca de 17,61 € anual; cerca de 22,02 € mensal; mínimo 2 utilizadores |
| Claude Team | Escreve e analisa muitos documentos longos | cerca de 17,61 € anual; cerca de 22,02 € mensal; de 2 a 150 pessoas |
A Microsoft teve uma promoção no Copilot para Empresas até setembro de 2026; confirme o preço em vigor na página da Microsoft antes de comprar.
Quanto custa, na prática, começar? Exemplo: numa empresa de 12 pessoas que dá o ChatGPT Business a 3 delas com pagamento anual, são cerca de 52,83 € por mês, sem IVA. O custo maior não é a licença: é o tempo de quem aprende a usar e de quem revê o que sai. Para fazer as contas ao tempo poupado, use a calculadora de poupança com automação e IA.
A escolha entre os quatro assistentes depende sobretudo de onde estão o email e os ficheiros da empresa. Está tudo explicado, com os detalhes de cada plano, em ChatGPT, Copilot, Gemini ou Claude: qual faz sentido na sua empresa. Para saber que modelo usar em cada tarefa, veja os novos modelos de IA de setembro de 2026. E há duas mudanças recentes a ter em conta: o Copilot Business com faturação por consumo ligada e o Gemini ligado a ferramentas externas por defeito.
Como começar em 30 dias
Este plano serve uma PME de 5 a 50 pessoas que ainda não usa IA de forma organizada. Não exige programador nem consultor.
Semana 1: escolher tarefas e pessoas
- Pergunte à equipa quem já usa IA, com que conta e para quê. Em muitas empresas, alguém já usa o ChatGPT gratuito em casa para trabalho. Não é para castigar: é para saber que dados já saíram e que tarefas interessam.
- Escolha 3 tarefas concretas, repetidas todas as semanas e fáceis de verificar. Bons candidatos: responder a pedidos de orçamento, resumir reuniões, extrair dados de faturas de fornecedores, escrever publicações para redes sociais.
- Meça o tempo atual de cada tarefa, mesmo por estimativa: “a ata de cada reunião de segunda-feira demora 45 minutos a escrever”. Sem esta base, ao fim do mês não sabe se valeu a pena.
- Escolha 2 ou 3 pessoas para o teste: quem mais escreve e quem tem curiosidade, não necessariamente quem manda.
Semana 2: ferramenta e regras
- Ative uma ferramenta na versão empresarial, com pagamento mensal para poder desistir. Se já tem Microsoft 365, comece pelo Copilot Chat, que não custa mais; se tem Google Workspace Business Standard, o Gemini já lá está.
- Escreva a política de uma página: que dados podem entrar, que ferramentas são autorizadas, que tudo o que sai é revisto. O modelo de política interna sobre IA e RGPD serve de base.
- Faça uma sessão de uma hora com as pessoas do teste: como escrever um bom prompt, onde a IA erra (números, datas, leis) e como verificar. Registe quem esteve. Isto cumpre a parte essencial da obrigação de literacia do AI Act.
Semana 3: usar todos os dias
- Cada pessoa usa a IA nas 3 tarefas escolhidas, todos os dias, e guarda os prompts que funcionam num documento partilhado. Ao fim de uma semana, a empresa tem a sua biblioteca de instruções.
- Reúna 15 minutos na sexta-feira: o que funcionou, o que saiu errado, que dados ficaram de fora por cautela.
Semana 4: medir e decidir
- Volte a medir o tempo de cada tarefa e compare com a semana 1. Conte também os erros que a revisão apanhou.
- Decida uma de três coisas: alargar a mais pessoas, trocar de ferramenta ou de tarefa, ou parar. As três são resultados válidos.
- Se alargar, escolha a próxima área deste guia e repita o ciclo. As automações entre programas e os agentes vêm depois, quando as tarefas simples já correm bem.
Dados, RGPD e AI Act em 5 regras
Este resumo não é aconselhamento jurídico. O detalhe, com a lista do que pode e não pode fazer, está em IA e RGPD: o que uma PME pode e não pode fazer.
- Dados pessoais só em versões empresariais. Nomes, NIF, moradas, dados de saúde de clientes ou colaboradores nunca entram em contas gratuitas ou pessoais. As versões empresariais do ChatGPT, Copilot, Gemini e Claude não usam os dados da empresa para treinar modelos, por defeito, e trazem o contrato de tratamento de dados de que precisa para o RGPD.
- Saiba onde os dados são tratados. Guardar os dados na Europa e processar os pedidos na Europa são promessas diferentes. Se trabalha com dados sensíveis, leia IA com dados na Europa e peça a resposta ao fornecedor por escrito.
- Uma pessoa revê e decide. A IA prepara; quem assina é responsável. Em decisões sobre pessoas (recrutar, avaliar, despedir, conceder crédito), a decisão é sempre humana. O AI Act classifica estes usos como alto risco, com regras que se aplicam a partir de 2 de dezembro de 2027, mas o RGPD já hoje exige informação às pessoas e revisão humana.
- Forme a equipa e registe. Desde 2 de fevereiro de 2025, o artigo 4.º do Regulamento (UE) 2024/1689, o AI Act, obriga quem usa IA a tomar medidas de literacia para a equipa. Não precisa de certificado: uma sessão, uma política e uma folha com quem assistiu são um bom começo.
- Diga quando é uma máquina. As regras de transparência do AI Act aplicam-se desde agosto de 2026: quem fala com um chatbot ou agente de voz deve saber que é automático, e imagens ou vídeos realistas de pessoas ou sítios reais gerados por IA devem ser assinalados. E há usos proibidos desde fevereiro de 2025, como o reconhecimento de emoções no local de trabalho.
Em Portugal, a CNPD fiscaliza a parte de proteção de dados.
Que apoios do Estado existem para IA numa PME?
Há apoios, mas mudam todos os meses e quase nenhum se chama “IA para PME”. Costumam aparecer como avisos de digitalização, inovação produtiva ou formação no Portugal 2030.
O caminho mais rápido é o simulador de apoios do site: indica a região, o que quer fazer e quanto quer investir, e vê os avisos abertos e previstos que encaixam, com a taxa de apoio e o prazo. A lista completa, atualizada todos os dias, está na página de avisos do Estado sobre IA, digitalização e inovação.
Um aviso a acompanhar: o Plano Anual de Avisos do Portugal 2030 prevê 80 milhões de euros para “Formação em Inteligência Artificial para as empresas”, com o IAPMEI como beneficiário, para o Norte, o Centro e o Alentejo, com abertura prevista entre 30 de outubro e 30 de dezembro de 2026. A PME não se candidata diretamente: é o IAPMEI que organiza a formação. Explicamos em Portugal 2030 prevê 80 milhões para formação em IA.
Uma nota de bom senso: para começar com 2 ou 3 licenças de cerca de 18 € por mês, não vale a pena esperar por um apoio. Os avisos fazem sentido para projetos maiores, como integrar a IA no ERP, automatizar a produção ou formar toda a equipa.
Erros comuns
- Começar pela ferramenta em vez da tarefa. Comprar licenças “para ver o que dá” acaba quase sempre em licenças paradas. Primeiro as 3 tarefas, depois a ferramenta.
- Deixar cada um usar a conta pessoal. É o cenário mais comum e o pior para os dados da empresa: as conversas saem com a pessoa quando ela sai.
- Confiar no resultado sem rever. A IA escreve números, datas, artigos de lei e nomes errados com a mesma segurança com que escreve os certos. Tudo o que é facto confirma-se na fonte.
- Pedir contas à IA. Somas, margens e IVA fazem-se no Excel ou no programa de gestão. A IA pode ajudar a montar a fórmula; o resultado confere-se.
- Ativar o Copilot ou o Gemini sem rever partilhas. Estas ferramentas mostram a cada pessoa tudo o que ela pode abrir. Uma pasta de salários partilhada por engano passa a ser fácil de encontrar.
- Querer automatizar tudo de uma vez. Agentes e automações entre programas são o segundo passo, não o primeiro. Uma automação mal desenhada repete o mesmo erro cem vezes.
- Não medir. Sem o tempo de antes, não há forma de saber se a IA poupou alguma coisa, e a decisão de alargar fica por palpite.
Perguntas frequentes
Qual é a melhor IA para empresas pequenas?
Não há uma melhor IA para todas as empresas: a melhor é a que encaixa no email e nos ficheiros que a empresa já usa. Em Microsoft 365, o Copilot; em Google Workspace, o Gemini; para um assistente independente, o ChatGPT Business ou o Claude Team. A comparação dos quatro ajuda a escolher em 3 perguntas.
Quanto custa começar?
Entre 0 € e cerca de 55 € por mês, sem IVA, para 3 pessoas. O Copilot Chat está incluído nos planos Microsoft 365 elegíveis e o Gemini nos planos Google Workspace Business; o ChatGPT Business e o Claude Team custam cerca de 17,61 € por utilizador por mês com pagamento anual.
Posso usar a versão gratuita do ChatGPT?
Para textos genéricos sem dados da empresa, sim. Para emails de clientes, faturas, contratos ou dados de colaboradores, não: use uma versão empresarial, que tem contrato de tratamento de dados e não usa os dados para treino por defeito.
A IA vai substituir pessoas na minha empresa?
Nas PME, o que a IA substitui são tarefas: a primeira versão de um email, a ata, a cópia de dados de um PDF para o Excel. As pessoas continuam a decidir, a rever e a falar com os clientes, e ficam com mais tempo para isso.
Preciso de uma consultoria de IA?
Para os primeiros 30 dias, não: os assistentes usam-se escrevendo em português. Uma consultoria faz sentido quando quiser ligar a IA ao ERP, ao CRM ou ao email com automações. Uma boa proposta começa pelas suas tarefas e pelo tempo que gastam, diz onde ficam os dados, inclui formação da equipa e tem um piloto curto com resultados medidos antes do projeto completo.
Que obrigação legal tenho já hoje?
A principal é a literacia em IA do artigo 4.º do AI Act: garantir que quem usa as ferramentas percebe o que está a fazer e os riscos. A isso juntam-se as regras de sempre do RGPD sempre que há dados pessoais. Para a formação em IA nas empresas do Norte, Centro e Alentejo, acompanhe o aviso de formação do Portugal 2030.
O que fazer esta semana
- Envie uma pergunta à equipa (hoje, 5 minutos): “Usa alguma ferramenta de IA no trabalho? Qual, com que conta e para quê?”
- Escreva as 3 tarefas que mais tempo roubam no escritório e quanto tempo levam por semana. Se precisar de ideias, percorra as 50 tarefas que uma PME pode automatizar com IA.
- Veja qual é o seu plano de email (Microsoft 365 ou Google Workspace, e qual nível). Está na fatura ou na consola de administração, e decide qual assistente testar primeiro.
- Abra o guia da área onde está a tarefa número 1 e siga o passo a passo com uma pessoa durante uma semana.
Preços e funcionalidades verificados em 1 de outubro de 2026. Valores convertidos para euros ao câmbio do BCE de 30 de setembro de 2026.
Fontes
- INE: Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação nas Empresas, 2025 (destaque de 21 de novembro de 2025)
- Eurostat: 20% of EU enterprises use AI technologies (11 de dezembro de 2025)
- Eurostat: Use of artificial intelligence in enterprises, Statistics Explained
- Microsoft: planos e preços do Microsoft 365 Copilot para PME
- Google Workspace: planos e preços para Portugal
- OpenAI: ChatGPT Business, visão geral
- Anthropic: preços do Claude
- Comissão Europeia: quadro regulamentar da IA e calendário de aplicação
- Regulamento (UE) 2024/1689 (AI Act), EUR-Lex
- Portugal 2030: Plano Anual de Avisos
- Portugal 2030: mais de 850 milhões de euros para 85 concursos até dezembro (14 de setembro de 2026)
- CNPD: Comissão Nacional de Proteção de Dados
- Banco Central Europeu: câmbios de referência do euro
Escrevemos para quem gere empresas em Portugal. Cada preço tem fonte e data; quando algo muda, atualizamos o artigo.
Precisa de ajuda a implementar?
Trabalhamos com parceiros com experiência a pôr estas ferramentas a funcionar em PME portuguesas. Diga-nos o que quer montar e ligamos-lhe para perceber o que faz sentido, quanto custa e quanto tempo demora.
- Resposta em até 24 horas
- Primeira conversa sem custo nem compromisso
- Pode juntar um apoio do Estado ao projeto, se houver aviso aberto



